O dia em que sonhei com a PM (na janela do meu quarto)

Fui dormir mais ou menos às 2 da manhã, estava com uma gripe que me impedia de respirar direito. Estava num padrão ‘duas respirações e um espirro’. De repente, começo a ouvir um zumbido estridente demais para ser o maldito pernilongo que me visita todas as noites e me atormenta durante a madrugada. Era algo… maior.

Ainda sem saber direito se estava acordado ou não, com a cabeça pesada e os olhos inchados, tentei me concentrar no barulho. Agora pareciam… hélices? Mas não podia ser. Teriam de estar na frente da minha janela para fazer um estardalhaço dessa magnitude! Tudo bem. Saquei. O problema é que tô doente e, por isso, o maldito pernilongo parece mais escandaloso do que o usual. Daí tô sonhando com ele porque tô cansado demais para acordar e, portanto, vou ter pesadelo com o energúmeno até tomar vergonha na cara e levantar. Perfeito! Freud teria inveja da minha interpretação! O problema é que o barulho era muito irritante e, sei lá por que, vinha de fora do quarto. Resolvi abrir a janela e… PÁ!

Um jato de luz inundou minha face e fiquei cego! Mas como podia um troço desses se ainda era de madruga?! Demorou alguns segundos para me recuperar do choque luminoso e quando abro os olhos tá tudo… escuro! Pronto. Era o fim. Não era gripe o que eu tinha, era alguma doença degenerativa e letal de nome impronunciável, e eu estava no estágio de perder a visão. Quanto tempo de vida ainda teria? Uns 30 minutos? Resolvi olhar para o céu pela última vez, mesmo estando cego. Imaginei que enxergaria, agora, uma luz daquelas brancas que vem buscar nossas almas nos desenhos animados. Uau, imagina só!

O problema é que encontrei… o maldito PERNILONGO. Só que não era um pernilongo, era um vagalume. Na verdade, parecia um helicóptero daqueles usados em operações da SWAT em filmes hollywoodianos. E ele emitia uma luz que vasculhava as janelas do Crusp, igual a uma caça noturna a terroristas em filmes de ação. Daí entendi por que aquele clarão quando abri a janela. Achei sem graça. Tanta coisa para sonhar (pégasus alados, hipogrifos ou mesmo gárgulas) e vou escolher logo um helicóptero da SWAT? Que zuado. Preferi acreditar que, na verdade, aquele era um vagalume gigante. Era muito mais criativo do que ter um helicóptero na janela do meu quarto durante a madrugada. Sabia o que tinha de fazer.

Coloquei meu chinelo havaianas, peguei minha raquete e algumas bolas de tênis e fui para a rua derrubar aquele vagalume na marra. Se o sonho não era criativo, pelo menos ia ser divertido. Bora brincar de tiro ao alvo! Quando passei pelo porteiro, de pijama, chinelo e raquete de tênis, ele me olhou com cara de: “QUE PORRA É ESSA?!”. Fingi que nem era comigo.

Quando entro no corredor, uma névoa. Devia ser um encanto lançado por outros insetos mágicos, pois comecei a tossir e senti os olhos se encherem d’ água. Desejavam me impedir de matar o vagalume barulhento. Resolvi correr, atravessar o corredor e pegar o helicóptero-vagalume de surpresa. Quando estou na metade do percurso, ouço uma voz feminina gritar: “Socorro! Estou sendo agredida!”. Parei. Tentei enxergar o que estava acontecendo, mas a fumaça me impedia. Só vi quatros silhuetas, duas delas indo para cima da outra dupla com o que pareciam ser escudos e capacetes medievais. Assim como o nobre colega porteiro, pensei: “QUE PORRA É ESSA?!” Definitivamente aquele sonho estava estranho.

Quando, finalmente, cheguei perto do vagalume, percebi que havia mais cinco além do anterior. Palhaçada! Não tinha armamento (bolas de tênis) suficiente para acabar com todos os inimigos. Achei que meu inconsciente estava de sacanagem. Foi aí que avistei ônibus trazendo mais seres com armas medievais, cavalos, caminhões com homens vestidos de verde e veículos com o nome GATE incrustado na lataria, que pareciam bastante com viaturas do Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE). Mas, pelo contexto, deviam ser um grupo de guardiões de portal dimensional, já que GATE é portal em inglês. Senti-me numa batalha mítica de RPG. Foi quando um rapaz vestido de calça jeans e boné começou a gritar “Viva a educação! Abaixo a repressão!” do lado da rua em que eu estava e, do outro lado, um dos seres com equipamentos medievais apontou o que parecia uma arma em nossa direção. GELEI.

Na mesma hora, percebi que alguns seres haviam tomado o que parecia ser o território pelo qual se batalhava e, com caras de regozijo, diziam “Aqui vai o primeiro! Cuidado aí embaixo!”. Entendi que estavam desarmando bombas, mas vi apenas faixas, que estavam pendurados em janelas do edifício, com os dizeres “Escravo se não escreve. GREVE GREVE GREVE” caindo em direção ao chão. Saí correndo! Pela cara de raiva que os guerreiros medievais fizeram enquanto tiravam aquelas faixas e o pavor aliado a prazer que suas faces expressavam enquanto as jogavam ao chão, aquelas faixas eram perigosas demais.

Voltei para meu apartamento e liguei a televisão para me distrair. Em todos os canais estava passando a maldita batalha. O que fazer então? Resolvi voltar a dormir, no pesadelo, para ver se acordava no mundo real. Parece que não deu certo. Continuo vendo imagens daquele episódio por toda parte. Dizem que foi uma ação da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Imagina. Querem que eu acredite que fui acordado, de madrugada, por helicópteros da PM, que o corredor do Crusp estava cercado por policiais que lançavam bombas de gás lacrimogêneo e que os seres medievais eram, na verdade, centenas de agentes da Tropa de Choque, da Cavalaria, do Exército, do GATE e do GOE (Grupo de Operações Especiais)? Ahã, senta lá, Cláudia! Que loucura! É mais fácil acreditar que ainda estou dormindo e isso é tudo intriga e conspiração dos malditos vagalumes gigantes.

Versão da crônica em áudio

Crônica escrita em 15 de novembro de 2011.

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