Vivendo de Ações

Se você deseja aposentar-se antes dos 40 anos, não se imagina trabalhando numa rotina empresarial, com horários e salário fixos, e quer liberdade para tirar uma semana inteira de folga quando der na telha, a profissão de trader com certeza lhe interessa.

Formado em Engenharia dos Materiais, Carlos Felipe Pinto Martins começou a investir na Bolsa de Valores com 25 anos. Aos 28, já conseguia obter grande parte de sua renda com as negociações no pregão. Hoje, Carlos é um trader. Diferente da maior parte dos investidores, que realizam operações na bolsa para obter ganhos a longo prazo, o profissional conhecido como trader vive com lucros de compras e vendas de ações durante o dia, procedimento chamado de daytrade.

“Acordo, opero [na bolsa], faço as refeições, reviso as demandas da minha empresa, opero mais um pouco no final do dia e reviso minhas estratégias operacionais de noite para melhorar meus investimentos no dia seguinte”. É assim o dia a dia de Carlos, hoje com 32 anos, trader profissional desde 2007. Sem nunca ter tido emprego fixo, por não suportar a ideia de trabalhar como empregado, Carlos começou a investir na bolsa de valores em 2004. Antes disso, fazia mestrado e pensava em seguir carreira acadêmica, mas migrou para o mercado de ações em busca de rendimentos mais altos.

O engenheiro conta que, no começo, a maior parte de seu aprendizado se deu por meio de informações tiradas da internet. Ele afirma que não se deve ficar estudando e fazendo cursos durante muito tempo, pois seria mais rápido descobrir os mecanismos do mercado quando se começa a operar logo. “Acredito que 6 meses de estudo prévio seja tempo de sobra, o investidor precisa pegar um dinheiro e entrar na bolsa”, aconselha.

De modo geral, traders são pessoas que preferem realizar seus planos no curto prazo e sabem lidar bem com riscos. Gostam de controlar suas aplicações diariamente, investindo e desinvestindo sempre que acham necessário. Mas tal tarefa exige disposição e disciplina. “Tenho muito mais trabalho como trader, porém de uma forma invejavelmente flexível. Posso ficar dias fora do ar se precisar, assim como posso ficar dias totalmente focado em minhas operações”, explica Carlos.

Mas nem tudo são flores na vida desses investidores. Viver dos lucros obtidos na bolsa, ambiente extremamente volátil, é arriscado e exige conhecimento e sangue frio. É preciso analisar o controle de risco das negociações, ou seja, definir parâmetros, muitas vezes subjetivos, para dizer se vale a pena correr determinado risco para obter uma quantidade maior ou menor de lucro. Segundo o engenheiro, “o mercado financeiro não é uma selva sem lógica, muito embora possa vir a ser se você não estiver preparado para ele. Você precisa saber qual será o seu lucro máximo ou prejuízo máximo antes de entrar em uma operação, pois se não for assim não é investimento, é jogo”.

Outro perigo da profissão é transformar trabalho em obsessão. Como traders precisam acompanhar o desempenho da bolsa várias vezes durante o dia, é possível que acabem ficando “bitolados” e tenham cada vez menos tempo para família e amigos. É essencial definir limites para evitar que isto ocorra e, assim, impedir que essa promissora profissão se transforme em pesadelo.

Home broker – Investindo de casa

Para quem deseja complementar sua renda investindo em ações de forma autônoma, mas não se encaixa no pefil de um trader, uma grande opção é utilizar o home broker. Trata-se de um serviço online pelo qual o investidor pessoa física se conecta ao mercado de capitais, possibilitando que negocie ações, commodities, índices futuros e dólar por meio de uma corretora.

Embora não seja o mais adequado para traders profissionais, que geralmente preferem softwares que suportam melhor muitas transações, o home broker é cada vez mais utilizado no Brasil por investidores que operam poucas ordens diárias. Em 2002, menos de 3% das pessoas físicas que aplicavam em ações operavam pelo sistema online. Em 2010, já eram 55%.

“Os benefícios são inúmeros, principalmente a agilidade, rapidez e precisão no envio e execução das ordens quando comparado ao antigo telefone”, explica Carlos Martins. Para Bruno Kayana, agente autônomo de investimentos, “o principal beneficio para os investidores é o acompanhamento em tempo real das cotações, além de poder negociar ativos financeiros de qualquer lugar, desde que haja internet.”

Outro ponto forte do home broker é a possibilidade de libertação do investidor das corretoras. Como explica Carlos Martins, “a relação com a corretora é a taxa de corretagem e alguns serviços necessários, mas a tomada de decisão e o envio de ordens de forma independente fazem o investidor ficar totalmente autônomo”.

Trader

Texto publicado no site Claro! Online em 4 de julho de 2011, em parceria com Pedro Lucas.

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