Palestra de chefe do Comitê Internacional da Cruz Vermelha marca seleção da Oboré

São Paulo 25/9/2010 (Oboré) – “É preciso conhecer atores e vítimas dos conflitos armados. O jornalista deve escrever [sobre bravatas políticas] sem ignorar, jamais, a situação dos feridos, presos e desalojados”, afirmou Felipe Donoso, chefe da delegação do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) para Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai. Sua fala fez parte do encontro de seleção para o Projeto Repórter do Futuro, organizado pela Oboré no último sábado, 25 de setembro, no espaço Matilha Cultural.

Donoso abordou em sua apresentação, logo após exibir um documentário sobre o CICV, os objetivos da instituição. Disse que a principal finalidade da organização é proteger a dignidade das vítimas de conflitos armados e prestar-lhes assistência, sempre atuando de maneira neutra e independente para ter acesso aos dois lados.

Felipe Donoso, chefe da delegação do CICV para o Cone Sul/ Foto: Lina Ibáñez

Felipe Donoso, chefe da delegação do CICV para o Cone Sul/ Foto: Lina Ibáñez

Outro assunto discutido por Donoso foi o abuso de exércitos com relação ao símbolo da entidade e suas implicações. O representante citou o resgate da senadora franco-colombiana Íngrid Betancourt e outros 14 reféns em 2008, antes em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). Na operação, o exército colombiano usou o símbolo da Cruz Vermelha para camuflar um helicóptero e, assim, resgatou os reféns sob o pretexto de levá-los para uma inspeção humanitária. “O exército cometeu um crime de guerra, de acordo com Direito Internacional Humanitário (DIH), e violou Código Penal da Colômbia com o ato de perfídia (disfarçar-se de uma organização humanitária para capturar alguém). Podíamos tê-los processado, mas preferimos continuar nosso trabalho e aceitar o pedido de desculpas do presidente Álvaro Uribe”, contou.

Quando questionado sobre quanto o CICV gasta e como se financia, Donoso explicou que a instituição mantém-se de doações de Estados, organizações supranacionais e das próprias Cruzes Vermelhas dos países ricos. A organização gasta aproximadamente US$ 1 bilhão por ano e é financiada da seguinte maneira: 25% da quantia vem dos EUA, 25% da União Europeia (instituição), 25% de países europeus e 25% de outras nações e doadores individuais. “Nesse montante há dois tipos de dinheiro: earmarked (dinheiro com aplicação especificada pelo doador) e non-earmarked (sem especificação)”, concluiu.

Homenagem

Antes da palestra de Felipe Donoso, houve a apresentação do documentário “José Hamilton Ribeiro – O Príncipe dos Repórteres”, uma homenagem ao jornalista que recebeu o título de Cidadão Paulistano concedido pela Câmara Municipal de São Paulo, na última quinta-feira (16), por sua contribuição ao jornalismo. Zé Hamilton, como é conhecido por seus amigos, é autor de 15 livros, já passou pelas redações das revistas Realidade e Quatro Rodas, do jornal Folha de S. Paulo e dos programas Globo Repórter, Fantástico e Globo Rural, do qual é repórter e editor.

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