O Haiti nunca vai ser um país ocidental, afirma coronel

São Paulo 16/10/2010 (Oboré) – Coronel Silva Filho, responsável pela comunicação do Exército Brasileiro no Haiti durante o terremoto de janeiro, disse que o país tem disparidades culturais e estruturais que o impedem de atingir o “status” de um país ocidental. “O Haiti é um país diferente. Ainda mantém costumes tribais e todas as medidas lá tem de ser muito discutidas antes de serem aplicadas”.

Apesar de afirmar que o país passa por uma situação “normal”, Silva Filho conta que as tropas brasileiras de paz fazem patrulhamento 24h por dia e que não há previsão para sua retirada. “A ONU está no Haiti porque o governo solicitou sua presença”, por isso, as Nações Unidas não teriam urgência em finalizar a Minustah (missão para promover a estabilização no Haiti), diz o coronel.

Com relação às eleições presidenciais de novembro, um período comumente cercado de manifestações políticas e agravamento da violência, Silva Filho conta que não há necessidade de enviar mais soldados para reforçar a segurança. “É comum ouvirmos que o Haiti fica mais violento nas eleições, mas a abstenção no Haiti é de mais de 90%”, continua.

Coronel Wagner Ribeiro da Silva Filho/ Foto: Lina Ibáñez

Coronel Wagner Ribeiro da Silva Filho/ Foto: Lina Ibáñez

Papel do Brasil

Maior mobilização do exército brasileiro desde a segunda guerra mundial, a missão de paz no Haiti, de acordo com o coronel, tem valor estratégico para relações externas. A projeção internacional da ação permitiu que, entre outras coisas, o Brasil fosse o intermediador na questão do enriquecimento de urânio junto ao Irã. “É uma missão muito relevante. O Brasil está em missões de paz em mais países, mas só tem tropas no Haiti”.

Questionado sobre as restrições de atuação das forças armadas brasileiras, Silva Filho explicou que “a missão do batalhão é a manutenção de um ambiente seguro e estável, o batalhão não está lá para fazer ajuda humanitária, não está lá para reconstruir”. Contou também que o patrulhamento sempre é realizado em conjunto com a Polícia Nacional do Haiti (PNH), pois a tropa brasileira detém pessoas, mas apenas a polícia local tem autoridade para prender indivíduos.

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Uma resposta para O Haiti nunca vai ser um país ocidental, afirma coronel

  1. JOAO RIBEIRO DA SILVA NETO disse:

    Wagner Filho, gostaríamos de um contato. Um grande abraço de seu primo.

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