Ex-coronel da PM defende regularização do “bico” entre policiais

São Paulo 23/10/2010 (Oboré) – “Eu sou favorável a uma [segunda] atividade controlada”, afirma André Vianna, coronel de reserva da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Citando como modelo o “bico” regulamentado adotado em Miami Beach, na Flórida, Vianna defende que as instituições policiais devem gerenciar demandas privadas e garantir que as atividades extras sejam benéficas: “Nos Estados Unidos, é uma prática normal. Do dinheiro arrecadado, 70% fica com o policial e 30% com a instituição policial”.

Para Vianna, a atividade profissional fora do turno de serviço já foi tabu por muito tempo, mas hoje é uma questão aberta. Ele explica que, antes, as instituições faziam vistas grossas até que algum caso viesse a público e exigisse punições. Hoje, a própria Prefeitura realiza tal prática através de um acordo, com o Estado de São Paulo, no qual os policiais que trabalham fora do turno, fazendo policiamento na cidade, são custeados pelo município.

André Vianna, coronel de reserva da PM/ Foto: Lina Ibáñez

André Vianna, coronel de reserva da PM/ Foto: Lina Ibáñez

O ex-coronel falou também sobre as desvantagens dos trabalhos extras e afirmou que “bico prejudicial é aquele que é desqualificado e coloca em risco a vida do policial; [situação do] policial que trabalha sozinho, armado, sem colete, sem rádio e na porta de um estabelecimento comercial que pode ser assaltado”. De acordo com Vianna, se as instituições policiais forem as agenciadoras dos serviços extras, podem disponibilizar equipamentos como viaturas e coletes para garantir maior segurança aos soldados, além de controlar melhor o descanso e o desgaste dos servidores.

A própria carga horária é questionada pelo ex-coronel ao afirmar que a jornada de trabalho dos policiais é mal regulamentada e, por isso, está em estudo no Ministério da Justiça. O problema estaria no contrato da profissão: “Em princípio, quando o policial atende ao edital para ingressar na carreira, concorda com um trabalho sem descanso. Ele tem que estar pronto 24h porque, a qualquer momento, pode ser acionado”, conclui Vianna.

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