CICV começa a estudar favelas de SP para implementar modelo do RJ

São Paulo 16/10/2010 (Oboré) – Gabriel Valladares, assessor jurídico do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), afirmou que já existe uma equipe responsável por estudar favelas paulistas e decidir se há a necessidade de iniciar um trabalho humanitário no estado. De acordo com o jurista, o mesmo método foi adotado, a partir de 2006, para descobrir a situação dos morros cariocas: “Apesar de termos instalado nosso escritório em 2008, nosso trabalho começou muito antes, em 2006”.

A aproximação com as comunidades fluminenses se deu, primeiramente, através do contato com líderes comunitários. “No começo não subíamos em grupo, subia um, dois”, diz Valladares ao explicar que discrição é um elemento importante para não alertar as autoridades locais, que poderiam atrapalhar na comunicação do CICV com os moradores das favelas. O assessor conta que as negociações em São Paulo encontram-se nesse estágio.

Quando questionado se o comportamento do CICV teria interferido na soberania do Estado brasileiro, Valladares explicou que o comitê precisa de permissão para atuar no país, mas não aceita diretrizes em sua forma de atuação. Portanto, depois de autorizado a agir no Brasil, o CICV se aliou a Cruz Vermelha Brasileira (CVB) e utilizou sua experiência internacional para instruir a população com técnicas simples e eficazes. “Percebemos que pessoas que eram feridas ou recebiam balas perdidas morriam porque seus familiares não sabiam conter o ferimento”, prosseguiu.

Gabriel Valladares, assessor jurídico do Comitê Internacional da Cruz Vermelha/ Foto: Thâmily Massari

Gabriel Valladares, assessor jurídico do Comitê Internacional da Cruz Vermelha/ Foto: Thâmily Massari

O jurista esclareceu, ainda, o erro cometido pela mídia ao usar o termo “guerra” ao referir-se aos conflitos no Rio de Janeiro. Ele explica que guerra só existe quando há um combate entre exércitos de dois Estados. Por isso, não seria correto adotar essa classificação quando se trata do tráfico no Rio de Janeiro. Logo, o enfrentamento com o crime organizado não é uma situação de guerra, mas de violência. Isso significa que as normas do Direito Internacional Humanitário não se aplicam, e sim as leis dos Direitos Humanos.

Por fim, Valladares reiterou que a principal preocupação do CICV tem de ser amenizar o sofrimento das vítimas de violência, sem necessariamente abordar as causas do conflito ou envolver-se em embates políticos. “Quando decidimos agir em um lugar, nossa preocupação tem de ser completamente humanitária. E não agimos assim porque queremos aplausos, mas porque nossa independência e neutralidade nos permitem executar o nosso trabalho”, conclui.

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