Seminário discute governança de empresas rurais familiares

São Paulo 04/06/2010 (AUN – USP) – “A cultura é muito forte no campo. Meu pai, por exemplo, não plantava nada que começasse com [a letra] A, e eu acreditava na produção e valor operacional do amendoim”, afirma Paulo Rodrigues, diretor de um condomínio agrícola, para demonstrar o peso que hábitos e crenças têm no gerenciamento de empresas familiares.

Paulo foi o palestrante convidado para debater governança e sucessão em empresas rurais no Seminário Empresarial do Programa de Estudos dos Sistemas Agroindustriais (PENSA) da USP, que aconteceu recentemente na Faculdade de Economia e Administração (FEA) da USP. O empresário é responsável pelo comando da Fazenda Santa Izabel, condomínio rural em Jaboticabal, no interior de São Paulo, que pertence à família Rodrigues há três gerações.

Entre os principais desafios enfrentados por empresas familiares, Paulo destaca o entrave a certos contratos. Por ser um negócio de pessoa física (pertence a um único indivíduo), a Fazenda Santa Izabel é impedida de concretizar determinados acordos que exigem o cadastro de pessoa jurídica (entidade abstrata como uma companhia ou associação). A mudança, no entanto, ainda não compensaria porque o peso tributário sobre pessoas jurídicas seria muito elevado. Mas o palestrante afirma que em breve não haverá mais alternativas: “O Brasil está muito próximo de exigir que a pessoa física se torne jurídica na Agricultura, como fez com várias outras áreas”.

Outra característica no gerenciamento de empresas familiares é a atenção aos Recursos Humanos. Paulo afirma que, através de estímulos aos trabalhadores para pouparem nos últimos 20 anos e ajudas de custo na aquisição de casas na cidade, mais de 94% das famílias que trabalham em sua empresa têm casa própria. Além disso, a firma oferece programas de participação nos lucros que incentivam a meritocracia e a permanência dos funcionários.

Por fim, Paulo diz que negócios rurais familiares se preocupam bastante com sustentabilidade e preparação da empresa no futuro, às vezes com diminuição dos lucros no presente, pois será um patrimônio familiar das próximas gerações. “Qualquer empresa, ao menos no discurso, busca a sustentabilidade hoje em dia. Fazemos isso desde a primeira geração”, afirma o palestrante ao indicar documentos lavrados que atestariam medidas de preocupação ambiental desde o fim do século passado.

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