Jornalistas desvendam máfia dos Diários Secretos

Informações que deveriam ser públicas, por lei, eram extremamente sigilosas e os diários oficiais do Paraná estavam inacessíveis havia mais de uma década. Era impossível saber quantos e quais funcionários compunham a Assembleia Legislativa do estado e, graças a tais segredos, criou-se uma rede de corrupção que envolveu boa parte dos parlamentares. Essa foi a realidade investigada pelos repórteres Karlos Kolbach e Kátia Brembatti, do jornal Gazeta do Povo, e também James Luiz Alberti e Gabriel Tabatcheik, da TV Paranaense, ambas empresas do mesmo grupo comunicacional.

Segundo Kátia, um dos méritos da cobertura desse escândalo que terminou com 33 pedidos de prisão foi a sua visão de todo: “A gente não queria fazer mais uma matéria sobre laranjas e trocas de favores. Queríamos desvendar o esquema completo, e não apenas acusar um ou outro deputado”.

Já para Karlos, o maior desafio foi escolher o desenrolar das investigações. O jornalista afirma que o quarteto possuía documentos capazes de comprometer agentes do Ministério Público, do Tribunal de Contas da União e até da Polícia Federal, mas não podia agir contra tantas instituições simultaneamente: “Se a gente acusasse todo o mundo, ficaria isolado. Precisávamos de fontes nessas esferas para enfrentar a pressão dos políticos”.

“Quem comprova se um ato foi ou não publicado se ninguém tem acesso aos diários?”, foi a pergunta que mais intrigou Gabriel antes de iniciar a publicação da série de denúncias. Sempre que alguém acusava um parlamentar de ter “funcionários fantasmas”, bastava que ele forjasse um Diário Avulso (não publicado oficialmente e sem numeração) contendo dados negando tal informação. Para impedir isso, a primeira reportagem da série “Diários Secretos” explicou à população o mecanismo e denunciou seu recorrente uso no plenário.

Quando a discussão abriu espaço para perguntas, James foi questionado sobre os prováveis conflitos na interação entre o jornal e a TV na divulgação das informações. “Na verdade, criamos uma interação para divulgar as matérias simultaneamente nos dois veículos. O jornal da noite deu o furo e iniciou a série na TV. Na manhã seguinte, o impresso repercutiu a matéria e a ‘suitava’ (adicionava uma nova informação ao tema). À tarde, a televisão repercutia o impresso e, por sua vez, o ‘suitava’. Na exibição do jornal noturno, seria lançado o segundo episódio da série e o mesmo ciclo seria repetido durante a semana”, conclui o jornalista.

Matéria divulgada, no Congresso Abraji, em São Paulo 30/7/2010, quando os jornalistas vencedores ainda estavam concorrendo ao Prêmio Esso.

Anúncios
Esse post foi publicado em Reportagens e marcado , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s