A Ciência da Esperança

De modo geral, a esperança é definida por dicionários como “confiança em conseguir o que se deseja”. Considere, como exemplo, as palavras de um aluno que acabou de ingressar na faculdade: “Espero me formar em quatro anos”. No entanto, uma nova teoria, que começou a ser estudada em 1950, tem recebido considerável atenção por dividir essa definição, em dois componentes, correspondentes à “vontade” e aos “meios”, baseada na conhecida expressão: “Quem quer (vontade), consegue (meios)”. Ter esperança é, segundo esse novo raciocínio, possuir ambos: vontade (a ação) e meios (os caminhos) para a busca. Através desse raciocínio, a esperança abandona uma tradição de irrelevância científica para transformar-se em uma ciência de grande utilidade à psicologia mundial.

É preciso refletir sobre a história da esperança para compreender claramente este conceito. O mito mais antigo com relação a ela é, sem dúvida, “A Caixa de Pandora”. De acordo com a mitologia grega, Zeus estava furioso com os homens porque eles roubaram o fogo dos deuses. Para se vingar da humanidade, ele criou uma linda mulher chamada Pandora e a enviou à Terra. Ela trazia consigo uma caixa de dotes e, como pode ser considerado uns dos primeiros registros de psicologia reversa, Zeus advertiu Pandora para não abrir sua caixa.

Quando ela finalmente chegou a seu destino, naturalmente a primeira coisa que fez foi xeretar ali dentro. Exatamente como Zeus previu: forças negativas foram liberadas da caixa para assolar as pessoas da Terra. Ali, havia diversas enfermidades, além de ódio, inveja e vingança. Aterrorizada, Pandora correu para recolocar a tampa. Ao fazê-lo, tudo o que conseguiu manter na caixa foi a esperança.

Suportados por essa lógica, a de que a esperança é um malefício desde o seu surgimento, vários pensadores a qualificaram negativamente. Platão sugeriu que a esperança era uma “conselheira tola”. Sófocles argumentava que “a esperança prolongava o sofrimento humano”. Benjamim Franklin afirmou que “a pessoa que vive com esperança morre mais depressa”. Esses pontos de vista podem, ainda, ser contrastados com a perspectiva da tradição judaico-cristã em que a famigerada esperança é representada como uma virtude (assim como a caridade e a fé).

Como conseqüência desse negativismo, diversos profissionais da saúde mental, entre eles C. R. Snyder, Ph.D. do Departamento de Psicologia na Universidade de Kansas, descontentes com a insuficiência de dados científicos sobre a esperança e com a forma como esses intelectuais a encaravam, desenvolveram no século XXI, por meio de décadas de estudo, a “teoria da esperança”. Essa vertente defende que a esperança não se baseia em características herdadas geneticamente ou virtudes. Em vez disso, reflete experiências juvenis e trata-se de uma ciência positiva que enfatiza a força das pessoas ao invés de suas fraquezas. Desta forma, pode-se medir e escalar o grau de esperança de cada um e criar tratamentos personalizados.

Conclui-se, portanto, que as futuras solidificação e difusão dessa “ciência da esperança”, com o passar dos anos e o aperfeiçoamento dos estudos, poderão torná-la uma poderosa ferramenta no auxílio à mente humana.

Texto escrito em 4 de junho de 2008.

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