Dia Do Medo

Nesta segunda-feira, 15 de maio, o estado de São Paulo foi alvo de rebeliões presidiárias e atentados a estabelecimentos públicos e privados. Segundo dados do Comando Da Polícia Militar de São Paulo, registraram-se mais de 110 mortes, incluindo civis, policiais e militares.

Dezenas de ônibus foram queimados, estações de metrô e agências bancárias metralhadas e tiros trocados em frente a distritos policiais. Estes foram alguns dos elementos que fizeram emergir o medo na face do cidadão paulista.

Analisando a capacidade de organização e simultaneidade das rebeliões, atribuiu-se o ocorrido ao, considerado imaginário até o acontecimento, Primeiro Comando Da Capital (PCC). Os detentos, supostamente liderados por Marcos Camacho (Marcola), exigiam o retorno de aproximadamente 755 presos transferidos para diversas localidades, para reprimir uma possível revolta. Além disso, reinvidicavam direitos especiais como televisão, visitadas íntimas e maior duração do banho de sol para infratores em regime restrito, regime no qual encontra-se Marcola.

“Está tudo sob controle”, disse Cláudio Lembo, governador do estado, enquanto questionado sobre a situação. “A mídia exagerou e disseminou idéias em tom superior à situação”, prosseguiu.

Se governantes assistem a um “motim” generalizado em mais de 25 penitenciárias, comandadas através de celulares (cujo funcionamento deveria ser extinto em tais lugares), ataques incessantes e eficientíssimos, devo salientar, contra policiais que perderam suas vidas exercendo a função de prevenir o caos e proteger a população e, ainda por cima, observam aos cidadãos refugiarem-se em suas casas com medo e pavor, acreditam que “está tudo sob controle”, como definir a palavra “descontrole”? É preferível nem imaginar.

O mundo assistiu à fragilidade de um país onde o poder judiciário falido e leis medievais desencadearam uma revolta generalizada. A economia abalou-se, a descrença ressurgiu e inocentes morreram. O que mais precisa acontecer para encararmos esta realidade como “fora de controle”?

Respeito, atitude e justiça. É esse o pedido da nação às autoridades.

Texto escrito em 16/05/2006.

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