Inexistência

Atravessam-me como se eu fosse um espectro. Nulo, imaterial. Imagem, sombra.
Sinto-me vazio.

Um saco de ossos putrefos envolto em sangue a dançar no baile da inexistência.
A luz, em mim, não se reflete. Ultrapassa. Prossegue. Trespassa.
Sou incapaz de absorver sequer um mísero resquício de energia.
Recebo calor, carinho, sentimentos diversos. Emoções. Ilusões. Sonhos. Porém, assim como a luz, não param. Continuam. Prosseguem. Trespassam.

Amor? Jamais obtive, transmiti. Nunca tentei. Incitei. Inferi.
Só experimentei carne na carne. Troca de fluídos orgânicos. Entrelaçamento bestial.
Sem razão. Sentido. Gozo.
Carícias falsas de amantes sem índole. Animais.

Penso, logo existo. Mentira! Calúnia. Erro.
Posso pensar e não sentir. Notar sem ser notado. Não pertencer a nada e a ninguém, pertencendo à realidade, à lucidez. Ao Mundo.

A mim? O que me resta?
Terminar meus dias de existência na penumbra que compõe e nubla minha mente. Idéias. Sentidos. Razão.
Me sobra, por fim, a inexistência.

Texto escrito em 15/02/06. 

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